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EDIÇÃO NÚMERO
Domingo, oito e poucos da manhã. Eu, que não acordo nesse horário nem durante a semana (hei, não sou vagabundo não!), de camiseta e boné tricolor, via o Mineiro, que é gaúcho na verdade, receber uma bola lançada e colocar no fundo do gol. Depois do jogo, saí pelas ruas pra tomar um café na padaria mais próxima. Saíam são-paulinos das casas, das lojas (centro da cidade), dos bueiros! De todos os cantos. Ao me verem com a camisa, gritavam, buzinavam! Uma festa! Percebi que diverso do indiano que se divide em castas, do alemão que se divide em raças, do americano que se divide em origens, o brasileiro, branco, negro, boliviano, italiano, rico ou pobre, se divide em torcidas de futebol. Há poucos dias os Corinthianos infestavam a cidade. Agora sumiram todos, e os tricolores reapareceram. Fazendo festa, dando berros, cumprimentando estranhos nas ruas só porque estão com a camisa do clube. E isso não é nada mal. Em primeiro lugar, cada pessoa é livre para escolher o seu time de futebol, coisa que não acontece com as castas, as raças e as origens. Não tem nada a ver com etnia, ou com a família. Pais Corinthianos? Sempre é tempo de um bebê palmeirense... O avô santista leva o neto a todos os jogos do Santos... Dá camisas, calções e bolas do peixe. E não é que o moleque virou vascaíno? Também não há nenhuma grande guerra mundial por causa do futebol (tirando algumas brigas de torcidas, vá lá). Não há torcida que subjulgue a outra e a deixe na miséria, na fome. Não há holocausto futebolístico. Não há discriminação contra flamenguistas. E mesmo que haja algo assim, mesmo em confrontos na porta do Maracanã, basta tirar a camisa e negar, negar até o fim: Fluminense, eu? O brasileiro sabe se dividir, permanecendo igual.
Escrito por Rogério às 23h14 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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