O Natal está chegando e Papai Noel evita dizer o que vai trazer para as crianças.“Quem tiver sido bonzinho será recompensado” diz o bom velhinho.
Para os analistas, a presença de Papai Noel no Paraguai na última semana indica que esse ano muitos terão que se contentar com eletrônicos piratas. A acessoria de Papai Noel não confirma a especulação.

 


Rogério na Usina de Letras
Larissa
Liliane Prata
Lígia Manccini - Fotografia e poesia
Terráquea
Lígia Manccini - O canto da poeta

 

 

O sapateiro grego Gatus Nakacholus saiu de casa na última terça-feira carregando um gato na cabeça. Segundo Nakacholus, ele não havia percebido a presença do felino, embora achasse mesmo que seu chapéu estava mais pesado do que de costume, além de miar de vez em quando.
Este não é o primeiro caso de animal na cabeça. Em 1874, o chinês Ka Be Shao foi ao trabalho levando um urso panda dentro de seu capacete. “Não sei como ele entrou aí”, disse o chinês.

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EDIÇÃO NÚMERO

 



 O GUARDA

 


 

       Quem passava pela entrada da cidade achava estranho aquele guarda, sentado em sua cabine calmamente. Um cego, de chapéu e bengala, olhando para a estrada, como se ele pudesse enxergá-la. Quando ouvia passar quem quer que fosse, ou pedestre, ou veículo, ou montado sobre animais, o guarda delicadamente sorria, voltava-se na direção do som e acenava com o braço. Nunca sabia ao certo se seu aceno tinha sido visto, se visto, aceito, e se aceito, retribuído. Gostava de imaginar que todos também acenavam para ele em resposta, e então isso não o intimidava...

        Mas esse inesperado vigia também tinha uma função, digamos assim, mais prática. Sempre que o viajante interessava-se em entrar nesta cidade, por turismo, por visitas, ou para estabelecer-se nela, descansava de sua marcha, descia de seu veículo, desmontava de seu animal, e ia ter com ele para obter a permissão de sua entrada.

        Dentro da cabine havia uma pequena mesa, algumas cadeiras e sempre um café renovado. O visitante estrangeiro sentava-se nela, contava a que vinha. O guarda dizia sobre a cidade e tocava o rosto para identificar o visitante. Depois do café, ele poderia passar.

        No entanto, nem todos respeitavam essa norma tão gentil. Alguns tinham muita pressa e queriam passar à força. Outros eram muito desconfiados, e então voltavam-se e iam embora. E outros muitos pensavam que era absurdo que um guarda, um vigia, fosse cego, e praguejavam. Não se submetiam ao exame, ao café, ou maldiziam a cidade de onde vinham e àquela a que estavam chegando, antes mesmo de entrar. À esses, o guarda não permitia a passagem.

        Um dia houve um homem burocrático, vestido de terno e gravata, que ao encontrar-se com o guarda, ao ver que ele não o via, achou aquilo um ultraje. Forçou a entrada, sacou uma arma, queixou-se ao prefeito. Como este homem, este cego, pode guardar a cidade? Não vê os meus documentos, nem minhas roupas, o meu rosto, minhas medalhas? Como verá que eu, um homem de bem, devo ser logo e bem recebido?

        O prefeito achou graça, pensou argumentos, mas nada respondeu. A decisão do guarda é sagrada. E o homem foi embora.

        Quando saiu, o guarda cego sentado em sua cabine, acenava sorrindo, desejando melhor sorte na próxima cidade um pouco além.


Escrito por Rogério às 20h30 [ ] [ envie esta mensagem ]




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