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CUIDADO COM A TESTA CONVIDA (6): RODRIGO PESSEBA NOTA PRÉVIA: Os textos aqui do blog, sem créditos, são todos meus. Se não forem, tem os créditos. Se forem publicados, tem o local da publicação. Se está aqui, pode confiar que é realmente daquele autor... Não pego nada da internet. Legal. Olha o doido do Pesseba de novo! Tenho mais contribuições pra essa semana. Mande a sua! O garoto no banco de trás do carro de sua mãe não parava de pular projetando seu corpo entre os dois bancos da frente, sabia no fundo da reação inevitável da mãe. - Fica quieto moleque! Veio a voz acompanhada de uma seqüência de tapas desorientados para traz. – Já falei pra ficar sentado no banco e com o cinto de segurança! Não foi muito relutante esse dia, afinal de contas o garoto sabia que logo estaria em casa para o almoço. Mesmo assim não deixou de sentar pesado no banco com os braços cruzados sobre a mochila e com a boca quase do tamanho do nariz. Mal tinha se postado no banco traseiro e o carro parou no semáforo. Aquilo o irritou como se o mundo estivesse conspirando contra ele. Impaciente olhou intensamente o semáforo e lançou um sopro, e no mesmo instante o sinal passou de vermelho para verde. Ficou espantado na hora, mas também teve hesito nos três semáforos seguintes. – como consegui fazer isso? Ao chegar no seu apartamento sua mãe percebeu que o filho não estava mais emburrado e por isso não o repreendeu mais, foi logo pra cozinha preparar a comida. O garoto jogou a mochila no corredor e correu direto para o banheiro, olhou para o espelho e após alguns segundos falou para o próprio reflexo: - eu sou diferente dos outros, eu tenho poderes. - Vá guardar essa mochila moleque! Berrou a mãe em tom estridente. O garoto obedeceu imediatamente levando os materiais da escola para seu quarto. Quando de repente uma idéia genial lhe ocorreu. Pegou a toalha de banho dobrada sobre a cama e saiu de casa o mais silenciosamente possível, pois deduziu que sua mãe não estava preparada para conhecer suas novas virtudes. Já do lado de fora ficou aflito com a demora do elevador, parecia que não ia chegar nunca e sua mãe podia aparecer ou mesmo algum visinho, e isso adiaria a execução de seu plano. Foi quando lhe ocorreu que não precisava se preocupar. Bastou um leve sopro sobre a porta do elevador e ele se abriu instantaneamente. Fantástico, pensou. Dentro do elevador seus olhos brilhavam, nunca teve tanta certeza de algo como tinha sobre o que ia fazer naquele dia. Desceu no último andar possível e prosseguiu até o terraço pelas escadas. Sem hesitar momento algum, amarrou a toalha no pescoço e com um único pensamento pulou do prédio: posso voar! Conseqüentemente... Poft! Ninguém sabe como, mas o garoto não se machucou. Porém ficou com a bunda dolorida por muito tempo com a surra que levou da mãe pela arte fez! Rodrigo Martins de Souza
Escrito por Rogério às 17h27 [ ] [ envie esta mensagem ] CADERNO DE EXERCÍCIOS (9) UM OMBRO AMIGO
- Pois então. Como eu estava dizendo, meu avô foi um homem muito bom. - Ah! O meu também. Foi enfermeiro voluntário na guerra, distribuía comida aos pobres, ajudava as velhinhas a atravessar a rua. Uma beleza. - Não, o meu avô nunca fez isso. Era só um homem do campo, preocupado em plantar tomates e cuidar bem da família. - Nossa! Na minha cidade tem um japonês que planta tomates do tamanho de cocos. Já saiu até no Fantástico. E todos na cidade são assim. Uma vez até pensaram e organizar um “festival do tomate” com um concurso pra eleger o maior tomate da região. - O meu avô plantava tomates normais mesmo, desses do tamanho de tomates. Mas graças a eles meu pai pôde ir estudar na cidade, fazer uma faculdade, se formar, mesmo que com alguma dificuldade. - O meu pai sim teve dificuldades... Fazia três faculdades ao mesmo tempo, diurno, noturno e uma por correspondência. Só tinha um par de tênis. Uma vez quase perdeu uma prova porque não tinha dinheiro pra comprar uma caneta. Teve que pedir emprestado. - Sim, mas eu estava contando a história do meu avô. É uma pena que ele tenha falecido. É muito triste estar aqui, olhar para o caixão, as flores... - Você tinha que ver o velório da minha tia. Muito mais triste do que esse. - E como se não bastasse, meus tios já andaram se desentendendo sobre o que fazer com a casa que ele deixou. Podiam ao menos respeitar um pouco. Só o que falta agora é uma briga em família. - Rapaz! As brigas da minha família são homéricas. Duvido que a sua família tenha brigas tão grande quanto às da minha e... - Caramba meu! Como você é chato. Eu estou aqui, triste, em um momento importante, precisando desabafar. E você só fica falando que o seu avô isso, que o seu pai aquilo. Fica me interrompendo. Até o tomate da sua cidade era maior. Será que não dá pra me ouvir e calar a boca não? Impressionante. Sinceramente, você deve ser o cara mais chato que eu conheço... - Xiii você não viu nada. Uma vez eu conheci um cara tão chato... Escrito por Rogério às 12h21 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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