O Natal está chegando e Papai Noel evita dizer o que vai trazer para as crianças.“Quem tiver sido bonzinho será recompensado” diz o bom velhinho.
Para os analistas, a presença de Papai Noel no Paraguai na última semana indica que esse ano muitos terão que se contentar com eletrônicos piratas. A acessoria de Papai Noel não confirma a especulação.

 


Rogério na Usina de Letras
Larissa
Liliane Prata
Lígia Manccini - Fotografia e poesia
Terráquea
Lígia Manccini - O canto da poeta

 

 

O sapateiro grego Gatus Nakacholus saiu de casa na última terça-feira carregando um gato na cabeça. Segundo Nakacholus, ele não havia percebido a presença do felino, embora achasse mesmo que seu chapéu estava mais pesado do que de costume, além de miar de vez em quando.
Este não é o primeiro caso de animal na cabeça. Em 1874, o chinês Ka Be Shao foi ao trabalho levando um urso panda dentro de seu capacete. “Não sei como ele entrou aí”, disse o chinês.

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EDIÇÃO NÚMERO

 



CADERNO DE EXERCÍCIOS (2)

CONFISSÃO

Confesso, para o bem da consciência
Que quis deixar de vê-la, simplesmente
Porque em seus olhos moram a doença
Da qual perecerei de tão doente.

Sem ter-me nesse amor correspondido,
Feria a chaga não cicatrizada;
Sofria novamente o já sofrido,
A cruz tornava sempre renovada.

E eu, que não sou Deus, em vão sangrava
Do amor, vivo demais para a mortalha
Embora tão distante para a vida,

Que não morria e nunca me matava.
Confesso, afastei-me da batalha
Que antes de existir já foi perdida.

MAIO/2004

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=88663&cat=Poesias&vinda=S


Escrito por Rogério às 00h24 [ ] [ envie esta mensagem ]



BIOGRAFIA (1)

Por ocasião da morte de Rogério Penna Quintanilha, neste dia, publicamos esta sua breve biografia, a ser dividida em algumas partes.

 

1981 – Nasce em São Paulo através de cirurgia cesariana pois chegou atrasado ao próprio parto (há quem diga que não queria vir ao mundo). No hospital, sua mãe foi transportada em uma maca, sedada, por uma escada helicoidal, iniciando seus problemas com a arquitetura.

 

1986 – Tem sua lembrança mais remota: O pênalti perdido por Zico na Copa do Mundo do México.

 

1991 – Transfere-se com a família para Presidente Prudente.

 

1994 – Inicia os estudos no violão.

 

1998 – Funda o “Falso Dogma”.

 

1999 – Dissolve o “Falso Dogma”.

 

2000 – Transfere-se para Londrina para cursar Arquitetura e Urbanismo.

 

2002 – Escreve o “Soneto ao Gorila Albino”, fundando o movimento “Gorilismo”. No mesmo ano, compõe “Caso de Polícia”, aquela praga!

 

2004 – Sabe-se lá Deus como, forma-se arquiteto. Vence o I Hallel Fest, em Franca com a música “Declaração de Amor”. Compõe “Com medo do escuro”, a primeira canção infantil que não é para criança.

 

2005 – Trabalha como arquiteto em Londrina. Abre o seu blog, o Cuidado com a Testa, que mais tarde irá derrubar o presidente americano Arnold Schwazzenegger.

        Especializa-se em História e Teoria da Arte.

 

2006 – Casa-se por correspondência com Ticienne, que está na Itália. O casamento acaba 6 meses depois, por falta de correspondência, pois Tici fica sem selos.

 

continua...


Escrito por Rogério às 20h58 [ ] [ envie esta mensagem ]



CADERNO DE EXERCÍCIOS (2): O texto do vídeo da formatura

Quem diz que ama a vida, ama a si mesmo, e ama aos seus amigos, diz três vezes a mesma coisa. Quem diz que ama a vida, ama a si mesmo, e aos seus amigos tem na verdade um único e imenso amor, indivizível.

Nossos amigos são, antes de tudo, aqueles que nos constroem, e aqueles a quem ajudamos a construir. Eles nos doam seus jeitos, seus pensamentos, seus gestos, suas frases, seus mais imperceptíveis sorrisos que ficam guardados em nossos olhos e em nosso coração. Logo estamos falando como eles, andando como eles, sorrindo e chorando. Sorrindo e chorando COM eles.

E quando acontece de chorarmos longe dos nossos amigos é tudo sempre muito mais triste. Longe dos nossos amigos nunca etamos completamente sorrindo, como se sentíssemos falta de nós mesmos. A amizade desafia a nossa arquitetura, e é ao mesmo tempo estrutura, proteção e abertura para o mundo.

E como não sentir saudades dos nossos amigos? Difícil aceitar que a vida nos aproxime e nos afaste, e que leve embora muitos dos nossos amigos.

Mas quando a lembrança for muito viva, e a saudade teimar em bater, basta lembrarmo-nos: Não somos nada além do que foram nossos amigos, e eles não são nada além do que um pouco de nós.

Amigos sinceros, no fundo, são uma pessoa só.

 

 

ps: um dia, com mais calma, eu conto a história deste texto. que NÃO foi feito para a formatura (foi feito a exatamente um ano).


Escrito por Rogério às 13h21 [ ] [ envie esta mensagem ]



CADERNO DE EXERCÍCIOS (1)

Soneto X

Alcanço-te à noite, o corpo branco,
Os teus cabelos claros, desatados:
Encontro-te dormindo ao meu lado
Num misto de amor, angústia e espanto.

Ajeito-te nos braços, mãos lascivas
Percorrem-te invisíveis, pelo escuro.
Encontram-se na boca em que procuro
Perder-me entre lábios e salivas.

Caminho com meus olhos por teu rosto,
Avanço por teu colo, e sigo em frente;
Aspiro o perfume de tua nuca.

Em breve a lua cederá seu posto,
Mas ah! se a noite fosse diferente
E o dia não me despertasse nunca...

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=102446&cat=Poesias&vinda=S


Escrito por Rogério às 09h26 [ ] [ envie esta mensagem ]



COISAS QUE EU NÃO SE FAZER (1) E (2)

        Eu me orgulho em saber fazer certas coisas. Por exemplo, quero ver quem conhece mais bandeiras de países diferentes do que eu! Não vale países mais novos, já que o meu repertório vem da minha infância, de um globo terrestre e de um Atlas com 2 Alemanhas e União Soviética. Mas daí pra baixo, sei tudo! Minha vitamina de banana com leite condensado... Imbatível. Se você achava que a sua era boa, é porque ainda não provou a minha. Que orgulho!

        Mas tem coisas que eu me envergonho profundamente em não saber fazer. Algumas vezes, coisas que realmente ESPERAM que eu saiba. Nestes casos, só restam três alternativas:

        - Admitir a própria ignorância e ouvir um “como você não sabe isso???”

        - Quando o calo apertar, balançar a cabeça afirmativamente. Mas com confiança. E logo mudar de assunto...

        - Consentir publicamente, num blog por exemplo, que você definitivamente não faz a menor idéia do que tratam certos assuntos.

 

Coisas que eu não sei fazer (1): Marcas de violão

 

         Isso serve para violão, guitarra, caixas de som, e etc. etc. etc.. Nem o modelo do meu próprio violão eu sei (e olha que eu olho pra ele todo o santo dia! – mas sei que é um Di Giorgio). Agora eu vi que é um Romeo 5, mas em 24 horas já terei esquecido.

        O problema é que as pessoas me vêem tocando, e imaginam que eu seja um expert no assunto. Rogério, você acha melhor eu comprar um violão Takamine nº 4 ou uma guitarra Fender modelo asa delta? Eu vi uma caixa valvulada da Brabus por 400 reais, você acha que está caro?

        Resposta a todas essas perguntas: não sei, não faço a menor idéia. Com muita dificuldade eu consigo acertar os dedos nas cordas. Cotações e detalhamentos técnicos: desculpe, guichê errado.

 

Coisas que eu não sei fazer (2): Dançar forró

 

         Essa semana eu até tentei ensaiar um forrozinho em uma festa. A minha amiga que dançava comigo desistiu mais ou menos na metade da música. Depois, ela bem que tentou me ensinar uns passinhos, mas ao fim de 15 segundos (ela também não foi muito paciente, convenhamos...), desistiu. Em Parati, a Potira até que conseguiu algum resultado, mas ele se perdeu com o tempo. O que me consola é ver o meu amigo Puf dançando! Perto dele eu sou o Carlinhos de Jesus!

 

 

Em Coisas que eu não sei fazer (3): o meu lendário senso de direção.


Escrito por Rogério às 01h38 [ ] [ envie esta mensagem ]



AFORISMOS DEMOCRÁTICOS (1): "as muito feias que me desculpem, mas beleza é fundamental" (Vinícius de Moraes)

   Algumas vezes uma frase de um texto, de um poema, de um discurso, acabam se tornando muito mais famosas do que o próprio textos. São os aforismos (eu adoro essa palavra!). As boas e velhas "frases de efeito".

   Eu sou um apaixonado por aforismos. E mexe daqui, mexe dali, às vezes a gente se depara com algumas dessas frases na sua origem. Quase sempre são textos tão maravilhosos quanto as frases, e é pena que quase sempre não nos sejam conhecidos!

   Então. Pra quem se interessou pelo assunto, estou criando esse tópico. Pra começar, uma clássica: "as muito feias que me desculpem, mas beleza é fundamental". Quem disse isso? Foi o poetinha Vinícius de Moraes. Onde? Nos livros Novos Poemas (II) e Poesia Completa e Prosa. O texto chama-se RECEITA DE MULHER (não é a cara do Vina?). Não vou falar muito. Enfim, Vinícius de Moraes:

 

RECEITA DE MULHER

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebal
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


Escrito por Rogério às 23h52 [ ] [ envie esta mensagem ]




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